O ladrão miudo

Chico e Francisco só tem o nome em comum, estão em lados opostos do pensamento. Os dois sempre têm mais algumas opiniões mesmo que não as coloquem em público. Em um debate do colégio, mais uma vez o debate centraliza nos dois, sobre cidadania vem uma enxurrada de opiniões criativas.
— As leis refletem como a sociedade é organizada e as pessoas colocam esperança nelas, as pessoas agem em busca da ordem nas leis —diz Francisco —, a sociedade é de tal forma por causa da participação das pessoas, organizando e usando leis e regras.
— A lei não é tão boa, qualquer bandido pode usá-la em seu benefício, é só achar brechas. Esse seu argumento quer impor falsa esperança.
— As leis refletem o que é importante para a sociedade... —ao tentar concluir a ideia Francisco é interrompido.
— Mas não refletem tudo que é importante, só algumas coisas que são levadas em consideração pelas pessoas — faz uma pausa e continua —, pessoas não idiotas.
Alguns da classe vão delírio.  Ao olhar, são as fãs de Chico o apoiando, afinal elas o acham mais bonito que Francisco. Ouve-se “Vai Chicão” que acerta a vontade de Francisco de continuar o debate.
            Dias depois, Francisco mal se lembra de terminar o debate, não se lembra do desfecho. Desmaiou-se, desistiu, ficou mudo, não importa, pois a vergonha pesa sobre a cabeça. Ao ir chegar perto do ponto de ônibus vê uma bela garota sozinha, lembra-se do apoio ao Chico, porém, e ela não faz parte do colégio dele. As mais belas ao redor do outro e ele nada; Chico o macho e seu harém, Francisco o eunuco. Sem pensar Francisco estrangula a moça, ao desmaiar ele rouba o que tem no bolso dela. Corre para o mais longe possível. Ao recuperar o fôlego vê um real na mão, “Só isso? Pelo menos ela não terá coragem de contar que roubaram um real dela.”, um sorriso vem ao rosto com a lembrança das coisas levadas em consideração, agora Francisco tem a desculpa para o crime.
            — Quieta! Quieta!— um garoto encapuzado diz armado com estilete, mete a mão no bolso de uma garota e rouba cinco reais. —Fique olhando lá! — E foge no outro sentido da calçada.
            Era Francisco cometendo mais um crime e mais outro vai ser cometido:
            — Quieto! Olhe o muro! — novamente mete a mão dentro do bolso e tira uma nota de cem, fica espantado. —Você não tem uma nota menor de cinco, dois? Me dê! — O cara assustado tira uma moeda, suficiente para Francisco socar a nuca dele e fugir com a moeda.
            Novamente em outro ponto de ônibus, o ladrão sente a confiança e certeza de que a pessoa carrega trocado da passagem, ele a rouba sem remorso que a pessoa voltará a pé pra casa, menos ele, Francisco. No dia seguinte, Francisco e seu amigo estilete encostam um cara em muro, mas chega uma viatura da polícia.
            — Parado! — grita o policial.
            Francisco corre e leva uma rasteira da polícia. Imobilizado os policiais perguntam seu nome, ele calado. Chega à delegacia e um repórter pergunta para ele o seu nome.
— Meu nome é Chicão! — responde Francisco.
— Chicão mesmo? — o repórter pergunta de novo.
— Chicão, o rei ladrão, o criminoso perfeito!
— Você foi pego, sabia?
— Ia roubar um trocado, não é crime, as pessoas não dão consideração a valor miúdo.
— Roubo é roubo, além disso, você admitiu o roubo, então cometeu um crime.
            Agora, Francisco está do lado oposto a muita gente.

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