Os desabafos humanos

Há muito tempo, a raça humana se perguntava: ”nós estamos sós?”. Por um tempo, acharam isso absurdo, não existiria vida fora do planeta Terra, mas aquela pergunta foi respondida. Agora o mundo pode ver através dos meios de comunicação os representantes da Aliança Galáctica. Direto da sala de conferência da ONU, um grupo de distintos alienígenas está se preparando para primeira entrevista coletiva, com a raça humana. Tem um alienígena alto com um só olho. Outro baixo com quatro braços. Tem um que parece uma criança dentro de uma roupa de astronauta. Esse responderá perguntas através de uma tecnologia de tradução.
Várias pessoas de várias partes do mundo foram convidadas. Essas pessoas foram escolhidas e farão suas próprias perguntas, em nome a raça humana. Um momento lindo para o mundo. O silêncio e a ansiedade dá um frio na espinha. A primeira a fazer é uma senhora de óculos aparentando meia-idade:
— Vocês vieram trazer alguma mensagem de paz, amor e justiça para todos no planeta?
—Nós só viemos dar as boas-vindas a raça humana em nome da Aliança e dar... —uma pausa da voz metalizada — com eu chamo... “etiqueta”, para que possam participar da Aliança. Suponho que vocês humanos devam ter sistema de justiça e governo eficientes, assim nós não precisamos intervir? Ó desculpe, nós não faremos perguntas, vocês é que perguntarão.
Senta-se desanimada, outa pessoa preocupada se levanta e pergunta:
— Vocês vieram trazer uma sociedade melhor? Sabem, vocês vão destruir esta sociedade e transformar as vidas humanas em algo melhor também?
— Nós não viemos destruir, só viemos dar boas vindas e a nossa “etiqueta” interplanetária. Destruir ou modificar essa sociedade é problema de vocês, vocês vivem nela, se ela não está de acordo com padrões e objetivos a culpa é de vocês.
Outra pessoa toma à dianteira e pergunta enfaticamente:
— Há muitos anos sempre houve relatos de objetos voadores estranhos e luzes no céu do planeta Terra. Pessoas dizem que já fomos visitados por vocês E.T.s, e os governos deste planeta sabe e escondem. Qual a participação da Aliança Galáctica nos rumos das vidas de cada pessoa e como interferiram nos governos dos países terráqueos?
—O senhor está nos colocando uma responsabilidade que não nos pertence, todos os membros da Aliança nunca tiveram contato com a raça humana, antes desse dia. Se vocês foram visitados, não foi por nenhum de nós, se isso aconteceu, fora por alguma raça que não faz parte da Aliança Galáctica, o que é difícil já que várias são tão atrasadas tecnologicamente quantos vocês humanos. Vocês poderiam pedir transparência dos seus governos.
— Então vocês são um bando de santinhos?—berra um homem do meio da plateia. —Vocês são um bando de mascarados!
— Eu não entendi o significado da palavra “santinhos”. A sua pergunta poderia ser reformulada? Ó, desculpe de novo.
— Eu já fui sequestrado por vocês aliens! A sua raça fez coisas comigo que eu nunca vou esquecer! Vocês já vinham aqui antes, não sejam mentirosos.
— Já expliquei; é a primeira vez que viemos ao seu mundo, nós não fizemos nada a alguém aqui. Só viemos dar nossa “etiqueta” e boas-vindas. Alguma pergunta diferente.
Aquele homem é retirado deselegantemente. Outro, aparentemente calmo e culto, usando óculos faz a próxima pergunta:
— Como os senhores puderam ver, há muitas frustrações e enganos entre nós. Vocês... Com a presença de vocês nossa compreensão do universo irá melhorar e irá evoluir.  Há falhas feias na convivência humana, que dá origem a guerras feias. Espero que tragam sabedoria para nós.
— Vocês guerreiam entre si? Você não contornam esses defeitos ou os resolve? Vocês que estão aqui não são mais unidos? — o E.T. faz uma pergunta contrariando o que dissera antes.
— Nós fomos selecionados, nós não nos conhecemos; as guerras são muitas das nossas soluções entre etnias, governos, ideologias, são guerras feias, muitas pessoas morrem e depois se dá analise de como poderiam ter sido evitadas; todos neste recinto apenas possuem pensamentos semelhantes.
— Como vocês têm pensamentos semelhantes e se matam? Não é absurdo? Se vocês tivessem pensamentos semelhantes não seria mais fácil resolver seus conflitos.
— Sim, seria mais fácil, mas faz parte da natureza humana não essa facilidade, por isso com vocês aqui nossas vidas vão ter mais consciências. — responde com um sorriso simpático.
 O E.T. falante parece assustado, se fosse humano seria fácil descobrir sobre esse assunto. Ele diz para todos:
— Vocês podem nos dar licença, há alguns pontos que não foram tratados com dirigentes da ONU. Com o andamento desta entrevista ficam claríssimos alguns mal-entendidos para nós repassados.
Depois ele fala em uma língua estranha para um dos acompanhantes e em outra língua para outro acompanhante. Eles se levantam e vão a uma sala. Sozinhos os três começam a falar. Os dirigentes escolhidos pela ONU chegam até eles. Pasmos perguntam:
— O que houve? Por que vocês saíram?
— Vocês nos enganaram! — diz o E.T. com cara de criança. — Quando nos dirigimos até vocês, deram a entender que representavam a humanidade com uma conversa bonita. Para representa-la teria que haver um governo central capaz de ouvir os anseios dos governados. Essas pessoas são desesperadas, precisando de liderança e pensam que nós vamos fazer isso.
— Nós não te enganamos... Nós queremos ser amigos, as pessoas estão expondo suas opiniões, pois estão demonstrando confiança ao contar seus próprios desejos. Dê uma chance.
— Nós já demos nosso tempo e paciência. Já foi demais. Você tem alguma doença social, um distúrbio que em nome da Aliança Galáctica não queremos que se espalhe para outros planetas. Nós já vamos embora.
— Espere um pouco. — diz o homem se interpondo. — Podemos, só nós, conversar melhor?
— Se você nos impedir de ir embora, será uma declaração de guerra!

O homem junto com os outros deixam eles irem. O planeta fica a ver naves espaciais a voarem. 

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