Ilhados


Uma chuva fortíssima caiu na cidade. As ruas alagavam e a enxurrada pegava transeuntes de surpresa.  A violência das aguas se refletia nas pessoas, pois quem não podia se cuidar era empurrado, era pisoteado. Um grupo se safou do perigo ao abrigar-se dentro de uma casa de andar, assim é uma casa especial. Encontraram a primeira porta aberta.
Um pequeno descuido do morador deixara a porta aberta pra receber parentes  antes da situação piorar, recebera aqueles visitantes. O nível da agua subiu rápido, deixando presas no primeiro andar.  As três pessoas acolhidas emitem opiniões:
— Isso não está acontecendo! Isso não está acontecendo! — uma mulher vendo pela janela o nível da agua subir.
— Bom, a gente vai ter quer ficar aqui, né? —um rapaz.
— É isso mesmo, não se preocupem. – diz o dono.
— Puxa vida! Essa chuva pegou muita gente de surpresa. — fala uma senhora mais velha., com cabelos brancos.
A chuva não para, mas a água não sobe nem desce. A enxurrada constante lembra às pessoas o infortúnio, de estar na casa dos outros. O rapaz fala;
— Já passou muito tempo, aqui não tem nada pra fazer? Ligue a televisão. — diz a senhora mais velha.
—Eu ligo. —fala o rapaz e aperta o botão “power”.
A televisão não liga e gera o suspiro de repreensão. O dono da casa fala:
— A televisão não vai funcionar... Estamos sem energia.
— Era só pagar a conta de luz, agora a gente vai ficar sem noticias. — diz a senhora mais velha.
— A enxurrada deve ter cortado a linha de energia. — o dono.
— Pode ser isso, o fato de pagar ou não pagar não é da minha conta, só queria estar em uma casa boa na qual eu pudesse fazer o que normal. — aumenta mais a senhora de cabelos esbranquiçados.
— Fale claramente minha senhora. — diz o dono diretamente a senhora. — Se lembre que por pura sorte estão na minha casa. Respeito é bom.
— Que é isso? Está me ameaçando?
—Não ameace ninguém, eu sou duas vezes o senhor. —fala o rapaz.
— Gente se acalme. — fala a outra senhora não tão velha. —Tá todo mundo estressado, estamos com fome, tem o que comer? Será melhor pra passar o tempo comendo, conversando, não é mesmo?
— Só quero que me respeitem... Respeito é bom — diz o dono da casa pra quem quiser ouvir.
— Eu só disse que o acho, estou exercendo meu direito.
— Só porque é a senhora velha, não quer dizer que mereça tanto respeito.
— Gente, estamos com fome, o senhor pode pegar comida pra nós, de boca cheia ninguém diz besteira.
Todos parados por minutos, esperando o próximo movimento ou próxima fala, mas nada. O dono vai em direção à cozinha. O jovem rapaz fala:
— Eu vou olhar a geladeira e ver o que tem.
Seguindo o outro homem, em mais alguns instantes, uma confusão é ouvida da cozinha. O rapaz volta orgulhoso com maças, ele diz:
—Eu faço o que quiser, eu peguei mesmo.
— Que barulho foi esse? —pergunta a mulher mais nova.
— Eu o empurrei uma vez pra olhar a geladeira, ele não gostou, aí empurrei com mais força e ele caiu, ah, ah.
O dono volta pra sala, sem ninguém perceber a arma em sua mão, só ouvem um disparo nas costas do rapaz. É quando as mulheres ficam apavoradas, o momento de mais dois disparos de revolver. As costas atravessadas são a única visão delas, o rapaz morreu desse modo.  “Sua velha” foi que ele dissera pra senhora mais velha; mais dois disparos no coração.
Os dois jogaram os corpos pela janela. Ela não quis questionar o outro com uma arma. A correnteza continua forte com uma chuva fraca. Estando perto da janela, vendo as aguas normais para aquela época se esqueceu por um momento o que acontecera, neste momento ela leva a ultima bala na cabeça.  Seu corpo pode ser jogado facilmente da janela próxima.  A correnteza limpou o que podia. 

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