Disputa no fim


As profecias maias estiveram erradas. O mundo acabou na virada do ano, ou melhor, começou o fim, porque as estruturais sociais e fenômenos climáticos consomem aos poucos, mas continuamente afligem as pessoas.
Pedrinho fora visitar a casa dos tios pra festejar o fim de ano, as catástrofes começaram e ele ficou preso lá. No fim sempre foi bem tratado; Pedro, seu primo, menos cretino e mais moralista que o xará, não suportara alguém que se divertia mais que ele na própria casa, agora odiava ter aquele hóspede por tempo indeterminado.
 Os pais de Pedro foram atrás de comida, deixando os dois sozinhos em casa, em meio às tempestades. Já faz dez dias desde que eles saíram. Pedro e Pedrinho racionam a comida, lanternas e velas. A casa resiste bravamente às tempestades contínuas. O mundo está em caos, mas Pedro mantem a casa em ordem, até perceber o que acontece:
— O que é isso?—pergunta ele como se nunca tivesse visto comida na mesa.
— É comida, ia chamar você, daqui da cozinha. —diz Pedrinho sentado.
— Temos que economizar tudo! Não sabemos quanto tempo isso — diz apontando para ventania na rua. — vai durar. Além, quando meus pais voltarem, vão ficar satisfeitos de como tomamos conta da casa, aí poderemos comer melhor.
—Que é isso! Eles não voltaram e faz mais de uma semana, está deprimente com você, estou tentando reanimar o lugar, não faça cara emburrada senão não aproveitará esta oferta rara.
—É claro que é rara, porque esta faltando aqui em casa; a casa é minha e eu quero isso tudo guardado.
—Você não manda em mim. Posso fazer o que eu quiser.
Pedro se aproxima e dá um cascudo em Pedrinho com um sorriso amarelo. Pedrinho revida com um empurrão e chama o outro de “merda”, mais precisamente:
—Você só está querendo aparecer, você com seus pais não tem moral pra nada, você é um bostinha! Só fede e atrapalha!
— Filho da puta!— responde Pedro.
Pedrinho novamente dá um empurrão em Pedro, só sendo mais violento. Pedro cai e bate a cabeça, porém se levante rapidamente e dá um soco na boca do estomago do primo. Pedrinho sem ar leva outro murro no nariz. Com dificuldade em respirar, ele cai e desiste da luta. Pedro fala:
—Respeite as regras! Guarde essa comida!
Quando o sangue de Pedro esfriava, sente, logo, a dor da pancada na cabeça. Ele vai para o quarto descansar e fecha os olhos. Só os abre quando ouve um estrondo muito forte. A casa está desabando, ela não resistiria por mais tempo; parte da casa caiu expondo Pedro aos ventos e chuva pesada; vendo muito pouco, sai do que restou do quarto e percebe que o telhado saíra voando comprometendo parte da estrutura casa. Vinha muita água. Ele pensa em sobreviver, pensa na comida, pensa em pegar comida e ir para outro lugar, aventurar-se; sobre Pedrinho, onde ele está? Tem que procurar o primo sem ajuda dele, provavelmente não vai sobreviver. Ele vai até a cozinha, vê a comida flutuando sem ver uma parede que cai em cima dele.
Ele queria ajuda, se não estivesse desmaiado, mas não vai ter, pois Pedrinho morreu antes dele. Depois da briga, enquanto tomava fôlego, pensara em não tirar a comida da mesa e provocar Pedro mais uma vez. Percebendo a situação da casa, ele correu para o quarto de hóspede para pegar uma mochila de viagem com pertences e abandonar a casa, mas o telhado quebra e um caibro partido e afiado o atravessa, sem fala do peso do telhado. Muita gente não soube o que fazer numa hora dessas.

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