Conversar é pouco


               Nando gosta de conversar e procura interagir com seus colegas. Mas seus interlocutores, às vezes, não aturam o que ele diz; uma vez ou outra ele diz coisa como:

                — Tem um samurai aqui, no Brasil, cheio de truques. Ele até apareceu numa reportagem de televisão, pegou um cachecol de seda, jogou no ar e a espada dele cortou-o só com o peso, o cara não fez esforço algum! 

— Você viu mesmo? Parece uma cena do filme “O Guarda-costas”. Sabe? Com aquela cantora que morreu. — responde o colega.

—Não, é não. — e vira o rosto não querendo mais conversar.

E era assim com raciocínios de origens questionáveis que ele, Nando, sempre preenchia uma conversa.  Em um dia diferente, ele conversandos com seus colegas diz uma bobagem:

— O ônibus na qual vim estava lotado. Quando paro no ponto, passei com dificuldade na porta, aí finalmente desci, saí e gritei: ”liberdaaadee” .

— Bela piada. — com algum riso que foi por todos.

— E ainda levantei os braços, comemorando como o Rocky treinando nas escadas.

— Vá pra puta que o pariu, você fez nada! —o riso passou pra a raiva.

— Mas foi mais ou menos assim. Confie.

—É que você mente tão bem que não sabemos quando está dizendo a verdade.

                Todos já estavam perdendo a paciência. Só estivera contando mentiras. Só pra eles ouvirem suas mentiras aumentarem. Se passassem mais dias, Nando não teria mais amigos. Num futuro distante, a solidão ainda tentará chegar até ele, pois ele tem mais um truque para retarda-la: depois de fazer um favor aos colegas, ele diz:

                — Quando comprei esses lanches, aconteceu um problema.

                — Que foi?

                — O dinheiro que vocês me deram, não foi suficiente, então coloquei as mãos nos bolsos e os puxei pra fora, mas já estivera esvaziado. —querendo atenção, continua — Aí peguei a minha carteira do bolso de trás, tirei dela o dinheiro que faltava de um compartimento secreto. Um cofrinho bem minúsculo.

                — Lá vem você com suas estórias... — porém é interrompido.

                — Isso é verdade, sem ele não teria essa comida.

E assim Nando não perdeu as conversas com seus amigos ou seus amigos é que viam motivos pra dispensa-lo.

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