Nem tudo são flores

O floricultor foi conferir o resultado do trabalho antes da hora certa. O homem foi olhar suas rosas, plantadas com mais carinho e cuidado do que esforço e sacrifício. Apaixonadamente ansioso em ver as flores amarelas, antecessoras aos lucros. Amarelo é a cor do dinheiro. Ele quis ver, espera ver fileiras de lucros.
Ao chegar ao campo , o vasculha, verifica a uniformidade dos pés de rosas amarelas; na verdade, ele conta quantos botões têm, assim pode especular quantas rosas obterá. Em um momento, ele vê e não acredita, a uniformidade foi ameaçada. Vendo de mais perto, um buraco foi aberto entre as fileiras. Parece uma cova. Enquanto observa, impacto, pois uma pá acertou-o na cabeça. De desorientado a caído sobre os pés de rosas, percebe uma pessoa vindo acima dele.
— Filho... , o que foi? —pergunta o homem.
— Agora sou seu filho? Seus filhos são essas porcarias amarelas! — responde.
Um objeto brilhante, na mão do agressor, rouba a atenção. Quando a faca termina de cortar, a dor chama atenção agora do pobre homem. Ele tenta segurar o sangramento com uma das mãos, pois a outra tenta evitar mais do agressor. Um segundo de alívio quando o filho levanta-se, mas em seguida ele empurra o pai pra dentro da cova. Percebendo o fim, ele tenta reerguer-se, o filho agressor reage contra as pernas, quebrando os joelhos com a pá. O homem não mais dor, só o medo da morte domina. O filho joga rapidamente terra esperando acabar com os urros do pai. Sua é expressão de ódio ao ver o pai tentar impedir o soterramento; em vão ele gasta suas energias contra a terra. A dor de um e o ódio de outro desaparecem, no ultimo punhado de terra.
— Filho, onde está seu pai? — pergunta a mãe, quando o filho retorna a casa.
— Eu não sei por onde aquele bosta anda.
— Não fale desse jeito do sue pai. — diz a mulher com autoridade.
— Agora ele é meu pai? — repete a pergunta. — Ele foi alguém nesta família? Ele gostava mais daquelas rosas! Toda vida foi assim.
— Filho, ele é seu pai de qualquer modo, ele cuida daquelas rosas, porque é o nosso sustento!
— Foi o sustento das porcarias, dos vícios e prostitutas! Ele fazia o que queria! Ele até batia na gente! É melhor que morra por aí.
Talvez esse fosse o desejo dela também. Mas somente o filho teve coragem de realizar seu próprio desejo. O pai está entre as amadas rosas amarelas, de algum modo, talvez ele esteja em paz.

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