Em busca de um amigo

Olá diário. Hoje tive um grande susto. Achei que tinha perdido o meu melhor amigo, é você, meu consolo. Com intuito de sair mais cedo do colégio, deixei várias páginas suas, dentro da minha mochila esquecida.
Vou escrever o que aconteceu: eu estava indo embora, pois a diretoria liberou os alunos que não quisessem assistir aos jogos internos. Eu tenho mais o que fazer, do que fazer o que não gosto. Numa sexta-feira, todinha pra aproveitar, ia pra longe daquele covil de luxo, da minha classe. Meus pais ficam reclamando dessa desse colégio, mas não me colocam em outro. Então ia passar pelo portão, quando senti falta da minha mochila, com você dentro. Fiquei distraída demais, no instante, o desespero tomou conta de mim e sai em busca de você. Não queria pensar, mas pensei se você caísse nas mãos das minhas antipatias. Os nossos segredos são nossos. Ninguém deve saber do meu querido Luís. Colégio adentro, refazendo meus passos. Entrei na classe vazia, tendo o silêncio como companhia, passei por todas as carteiras e não vi nada. Só vi os rabiscos nojentos da nojenta da Bruna sem sua corja, querendo meu gatinho, eu vou vencer essa guerra. Saí e fui pelo pátio, olhando o desvio de função da diretoria, assim meu pai chamou a fonte que nunca terminaram. E pediram mais dinheiro pra terminar.
Aquela obra inacabada é uma vergonha, por isso ninguém chega perto dela, por isso eu não tinha perdido você perto dela. Estou sendo sincera com você, pois você quer saber o que aconteceu ou não? Você estivera sozinho dentro da bolsa, deve ter ficado com medo. Agora continuo explicando. Aproximei-me da cantina fechada, pra ver se a mochila estava lá. Ela fechada não tinha ninguém. É obvio. Todos só estão lá pelas comidas crocantes e cheias de gordura, bando de gordos, principalmente a Bruna. Na sexta série apareceu usando um sutiã e já se achando mulher. Aqueles peitos são embuste, pois não passa de gordura; ficam admirando ela como uma pequena mulher, mas ela não passará de uma nanica, pois é gordura em cima de músculos sub nutridos. Eu, pelo contrario, tenho músculos de verdade e vou trabalhá-los um dia. Você não estava lá, dava pra ouvir o som do ginásio, meu Luisinho estava jogando, foi defender a honra da oitava série nos jogos. Meu querido e confiável. Foi aí que me lembrei que antes de sair do colégio, eu tinha cantando o hino nacional no ginásio, junto com outros. Então me dirigi para lá de novo. Sentei-me no mesmo lugar e vi a mochila no chão, peguei-a, abri e você viu o mundo de novo. Tomara que ninguém tenha visto o aconteceu. Tomara mesmo. A Bruna e sua corja estavam do outro lado, a que chegou à escola na quarta serie e a que chegou na sétima. Fui de fininho.
Quando percebi já estava escurecendo, perdi a tarde te procurando. Nem vi o Luís jogar, nem nada. Tenho que te colocar em lugar seguro, mas sinto vontade de escrever no colégio. Se fizer rascunhos, vão correr os mesmos riscos. Já sei, vou fazer em código. Quem olhar não entenderá, vou pensar em um código que pareça pichação. Assim continuarei escrevendo no covil. Será um código para enfrentar a guerra. A guerra pelo coração de Luís. Sei que a Bruna, deve suspeitar de alguma coisa. Deve suspeitar que queira ele. E ela quer todos.  @#$% Meu primeiro código.
Vou descansar desse susto e sonhar com o amor ou eliminando meus desafetos. O pesadelo pra mim foi real. Agradeço ao meu diário pela compreensão e desculpas, só você pode me trazer alegrias. Beijos.

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