Olha as visitas

Muitas pessoas vêem discos voadores, mas não viram no matagal ao lado de uma rodovia. A nave tinha um formato aerodinâmico, confundível com um avião experimental. Quando vissem seus ocupantes, teriam certeza da vida em outros mundos. Eles têm três pernas compridas, dois braços e uma cabeçorra com três olhos. Somente dois visitam a Terra e investigam o local de pouso. Um deles está com um aparelho estranho. O outro mais afastado, no alto da ribanceira da estrada admira as luzes da cidade ao longe. Este ao voltar pra perto nave volta sem o capacete. O outro fala:
— Por que você está sem o seu capacete?
— Comandante, tirei o capacete para verificar o quanto é nociva a atmosfera, isso faz parte da missão.
— Seu idiota, para isso nós trouxemos este aparelho — apontando para o aparelho colorido —, não precisa se arriscar, isto é uma missão científica, não é um passeio, coloque o capacete imediatamente.
— Comandante, o capacete caiu do alto da ribanceira na direção da sinalização gigante no solo.
— O que? Pegue ele já! Não podemos deixar vestígios da nossa presença! Esse desleixo vai para o relatório.
— Sim senhor, eu entendo.
O subordinado foi buscar o capacete, deixando seu comandante em paz por um longo tempo. O comandante ficou preocupado com a demora, saiu à procura, ele liga a nave, iluminando a região. Fazendo uma busca aérea encontra o companheiro rapidamente com o capacete, andando pesadamente.
— O que houve? — pergunta o chefe ao se aproximar com a nave. — Parece cansado.
— A gravidade deste planeta está consumindo minhas forças, caí da ribanceira, rolei toda ela, encontrando meu capacete distante, isso tudo alertou um terrestre que estava ao lado da sinalização.
— Um terrestre dominante? O que ele fazia?Fez o procedimento padrão?
— Com certeza um terrestre dominante, ele estivera parado colocando alguma secreção para fora do corpo. Caminhei na direção dele, devagar, mostrando que não era hostil, que não possuía armas. Não emiti nenhum som para não desviar a atenção dele.
— É lógico, ele não entenderia! Então foi bem-sucedido?
— Ele correu de mim, então o segui, ele entrou em uma estrutura metálica e ficou me encarando de dentro dela.
— Você o viu de dentro? O que você viu mais?
— Tinha assentos e tinha outro terrestre dentro, com detalhes esquisitos, coisas pequenas e brilhantes pendurados na face e longos pêlos na cabeça. O primeiro conversou um pouco com o segundo e apontou a mão em seguida para mim, esse segundo terrestre começou a me encarar também.
— O que aconteceu? — o comandante não parava de demonstrar curiosidade.
— Tentei fazer contato de novo, fui aproximando-se deles, então o primeiro terrestre mexeu dentro da estrutura, ela fez um barulho enorme e saiu em movimento acelerado.
— Você tentou fazer contato, deveríamos tentar de novo, pois eles podem ter interpretado errado a sua atitude, mas vou escrever no relatório que você seguiu o procedimento universal e insistiu no procedimento correto duas vezes.
— Senhor, ainda nós podemos insistir, o veículo deles não entrou no hiper espaço, eles seguiram a sinalização, veja — apontando para marcas de pneu. — quando o veículo acelerou criou barulhos e um destes era o som de atrito com o a sinalização, pelo que pude constatar.
— Entre na nave, com certeza podemos alcançá-los, você vem na frente para me indicar qual veículo.
Logo a nave partiu a velocidade sub-luminar, encontrando o automóvel facilmente.
— Comandante, são eles logo à frente.
— Vamos sinalizar para eles. — a nave começa a emitir sinais de luzes.
— Eles não pararam... Parece que estão tentando se distanciar de nós.
— Povo estranho... são mal educados. — disse o subordinado.
— Vamos embora deste planeta, já fizemos mais que a nossa missão manda. — disse o comandante desviando a nave da perseguição.
— Talvez, para estabelecermos contato devíamos primeiro vir aqui ensiná-los...
— Talvez, nós não saibamos o suficiente deles. Lembra-se das marcas na sinalização, fico pensando porque eles depredariam a linguagem deles. Eles estavam seguindo a sinalização como um sistema de guia para eles próprios. Talvez as sinalizações que vemos do alto não seja uma forma de se comunicar com os seres além deste planeta. — disse o chefe.
— Por isso que a forma de comunicação parece tão rudimentar, por que não é forma alguma; muitos teóricos dizem que eles tentam se comunicar, mas depois dos fatos de hoje, vejo que eles não pensam dessa forma, eles não querem, não saibam, não é intenção deles. — concluindo o subordinado. — Se o senhor explanar esta idéia será muito corajoso, poderá ganhar prêmios, ou ser taxado de louco.
— Não tente aconselhar-me, você tirou o capacete, podia ter morrido.
E a nave partiu até se transformar em um ponto brilhante no céu.

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