Os dois lados da rua

 O dia estava lindo. O transito começava a ficar congestionado numa larga avenida. Um passageiro espera seu ônibus no ponto lotado, temendo ficar pra trás quando o ônibus parar, esperando ansiosamente, anda de um lado ao outro buscando visão melhor da imprevisível condução. Lá vem ao longe mais um paredão de carros, seu ônibus não quer aparecer, apareça; pensam os passageiros unidos pelo pensamento, sem voz para admitir que eles vão chegar atrasados aos seus destinos.
A ansiedade faz a cabeça de qualquer desviar olhar. Um barulho forte estoura perto dos ansiosos. A freada de um automóvel foi o alarme para vêem um corpo humano voador. Aqueles não acompanharam os acontecimentos, perguntaram “o que aconteceu?” outros responderam “alguém foi atropelado”. Transito parado de uma vez, curiosidade e solidariedade misturadas ao alcance das pessoas. Ninguém pode mexer no atropelado, isso é coisa dos paramédicos, ele parece desejar a mesma coisa:
— Uma ajuda, pelo amor de Deus! — disse o homem sofrendo.
— Calma! Não se mexa! A ambulância já está a caminho. — diz a pessoa mais solidária.
— Uma esmola! Uma esmolinha! — acrescenta o homem sofredor.
— Você foi atropelado, você vai ter sua ajuda. — responde novamente a pessoa.
— Me dêem alguma coisa! Quero dinheiro para uma viagem!
Sem o desejo cumprido; ele começa a levantar-se. Vozes o mandam ficar quieto, ele diz que não quer ficar deitado, queria dinheiro. Outra pessoa fala:
— Homem fica quieto, você pode ter algum problema sério sem saber!
— Só vim pro meio da rua por causa de um esmolinha, sem ela, eu vou embora! Sai da frente, que eu vou pra onde quiser!
— Que idiota! Parecia que ia morrer. — disse alguém de dentro da multidão.
O mendigo fica deitado por uns instantes na rua, mas ele se levanta de vez sem oposição alguma. Não tinha tantas pessoas para reprimi-lo, pois já tinham retomado ao que faziam antes. Não precisava ninguém reprimi-lo, ele ficara fraco com a batida e caiu no asfalto. Outra pessoa disse:
— Fique aí mesmo, seu mendigo! — que de fato ele era mesmo um mendigo mais limpo que outros.
O transito naturalmente desviado, não incomodava mais ninguém. Quem queria tomar seu rumo, foi embora do local. Com uma justificativa para o atraso. As pessoas esperaram ver um cadáver, viram um palhaço. Muito decepcionante para um dia lindo.

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