O assalto

           Uma farmácia está aberta. Ademir é cara precavido, por isso quando viu a farmácia, pensou em comprar um remédio sobressalente, o que ele tem em casa ainda não acabou. Idéias a frente o guiam para o lugar. Resolver um problema antes que ele aconteça é ótimo, pois economiza tempo, tornará ágil a vida. Uma gripe é imprevisível, nessa época. Perder um dia no trabalho por causa de uma doença ou a doença progredir para algo pior, nem pensar nessas possibilidades.
            Ao entrar na farmácia ele pergunta logo ao vendedor:
            — Você tem algum remédio para gripe?
            — Temos esse aqui. — e mostra a Ademir uma caixa contem uma cartela de comprimidos, justamente o que ele estava pensando.
            — Ótimo vou levar, custa quanto?
            — São seis e 45.
— O que? Esse remédio? Isso está caro. Em outra farmácia só a cartela custa R$1,50.
— Leve em consideração, senhor, o remédio vem dentro dessa caixa.
— Dentro dessa caixa só tem uma cartela. Você está me cobrando R$ 4,95 por uma caixinha de papel?
            — O preço é esse... O senhor leva se quiser... — diz o sorridente atendente.
            — Isso é um abuso! Isso é injusto, esse preço é injusto,cobre o preço certo!— diz Ademir indignado.
            — O senhor pode procurar outra farmácia, não é obrigado a comprar aqui. O senhor não devia sentir-se assombrado, isso aqui é um negócio.  — fala calmamente o atendente.
            — Você me olha com essa cara de safado e acha que eu sou idiota? Exijo um preço justo!
            — Já disse que o preço é este... — a frase é interrompida por uma batida forte no balcão. — Senhor, se continuar, eu vou chamar a polícia!
            Ademir parece controlar-se diante da ameaça e diz:
            — Que fique bem claro meu protesto! Isso é um abuso! — disse isso e retira-se.
            Ademir parece maluco, falando sozinho na rua, atraindo olhares. Vendedor desgraçado, não vendeu o remédio por um preço justo. Devia ter procurado outra farmácia conhecida onde teria o preço que ele gostasse. Que humilhação, se não tivesse sido preguiçoso, não teria o desprazer que teve. Não pode ficar assim, pensou Ademir. Ele pega o celular então liga para o disque denuncia e diz:
            — Tem uma farmácia, que está sendo assaltada, por três maus elementos. Um dos ladrões se disfarçou de atendente e com cara de pau vende remédios para as pessoas. Parece que são elementos perigosos.
            — Onde fica a farmácia, senhor? — foi a única frase da moça, pois Ademir desligou o telefone.
            Ademir teria que dar detalhe, do assalto, dos assaltantes e como ele saberia explicar tudo isso? Não conseguiria e depois se policiais descobrissem quem passou o trote, porque esse telefonema é trote, poderia fazer dele um exemplo de punição. Com tudo isso pesando, Ademir foi pra casa esfriar a cabeça.

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