Direitos para todos

Um departamento do DETRAN começou abrir as portas tranquilamente. O sol, daquela manhã, entra fracamente através das portas de vidro não sendo forte pra esquentar o ambiente, por isso o ar-condicionado não está ligado.
Os funcionários esperam os usuários, até que começa também a ouvir um barulho cada vez maior, pessoas entram apressadamente. Logo dá pra ver, de dentro do DETRAN uma multidão, vibrando os braços no ar com força, exigindo justiça com a força dos pulmões. Um bando de desconhecidos obstruiu a entrada principal, transformando-se em obstáculos humanos para a passagem de carros do estacionamento. Alguns diziam, para o mundo ouvir, que ninguém entrará ou sairá do DETRAN até quando a justiça seja feita. Os manifestantes faziam de tudo pra serem vistos pelas pessoas de dentro, mostravam raiva, fúria e ódio em seus rostos, digno por quem era oprimido.  Os funcionários, sem conseguir diálogo com os revoltosos, apelaram para a imprensa, já que eles pareciam querer aparecer ou dialogar só com repórteres. Quando o repórter perguntou o motivo, uma mulher respondeu:
— Eu e meus amigos queremos justiça! Viemos aqui pra mostrar que ele, o DETRAN, não tem poder sobre nós! Estamos no direito de exigir de que sejamos respeitados!
— Mas qual foi o motivo especifico que levaram vocês a se manifestarem? O que vocês exigem?
— Meu filho foi atropelado na rua anteontem quando estava brincando, eu tenho direito de pegar o DPVAT, senão ele não vai ter tratamento; um homem chegou lá na rua hoje e disse que o DETRAN não daria o DPVAT.
— Como assim? Um homem simplesmente chegou e disse que o seu filho não tem direito de receber o DPVAT?
— Isso, disseram que eu não tenho direito, mas tenho! Estou aqui revoltada querendo uma solução, pois não somos bichos que podem ser deixados na rua!
O repórter sentiu que não tinha condições de continuar ou fazer uma reportagem decente, pois ele imaginou como um palhaço que faz palhaçada para ganhar aplausos da platéia, o público de casa seria platéia e ele o locutor da apresentação. Ele não faria uma reportagem com características de circo em nome da “informação”. Por isso saiu pela tangente, perdendo o fim do espetáculo. Com ânimos cada vez mais elevados, o rosnado e grito bárbaro dos manifestantes, indicavam claramente a passagem da intimidação para a ação. Temendo pelo pior, a polícia com a tropa de choque foi chamada.
Os policiais viram um pequeno pelotão de civis de frente à porta sem disciplina: ás vezes um revoltoso saía da formação, ia até a porta do estabelecimento, desabafa palavrões e voltava à formação. Um sargento conversa com eles sobre o que acontece e propõe um diálogo com o superintende; resolvido o problema, a mãe do menino acidentado conversa com o superintende na frente dos policiais. Em um momento a mulher desabafa palavrões misturados com palavras de ordem:
— Seu filho da puta, você não em direitos melhores que o de ninguém, o mundo precisa de paz e justiça para todos, você não vai controlar isso, não! Quero meus direitos, você está me roubando, seu pedófilo!
O homem esperara calado um raciocínio sensato da mulher, os policiais esperavam controlar a situação e a mulher não esperou mais e esbofeteou o homem. Vendo isso os outros comparsas dela agrediram o homem que foi salvo pelos policias, a tropa de choque entra em ação, o confronto, com pedras e paus pelos manifestantes, granadas de gás e balas de borracha pela tropa, teve seus feridos de cada lado e agência do DETRAN com a porta de vidro estilhaçada e sua fachada com marcas das depredações.
A imprensa depois noticiava o duelo e corre-corre das pessoas e policia, o lado normal de uma noticia de hoje.

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