Na idade média faça como os medievais - parte 2

         Chegando perto da casa que moram, João e os filhos colocam os fardos em um celeiro improvisado e entram dentro dela. Claudia, a esposa de João, esperava ansiosamente juntando lenha, para preparar o jantar, aquele dia tinha sido sombrio, pois só havia dois coelhos pra comer; Ana ao ver a mãe juntando a lenha pergunta:
            — Mãe, o jantar está pronto?
            — Não está pronto, vamos comer quando voltarmos da vila, hoje.
            — Mãe, quando sairmos hoje, nós podemos achar mais comida, não é mesmo?
            — Exatamente filha, vão hoje expurgar o mal entre nós e retornaremos a vida normal de sempre.
            — Isso mesmo — diz o pai —, garantiremos e confirmaremos a nossa fé, rebeliões — uma ênfase ao filho no cômodo — só fazem mal ao que já é garantido.
            — O que foi meu esposo? Parece chateado?
            — O Lucas parece que quer se desviar do caminho de Deus.
            — Foi só uma pergunta pai.
            — Você duvidou das nossas vidas, do que nós fazemos, quem somos nós para duvidar de um presente divino? Diga-me.
            — Pai, o senhor está exagerando, a gente podia fazer o trabalho de um jeito diferente...
            — E você sabe como?
            — Não sei...
            — Está vendo? Você está querendo nos guiar para a perdição, justo hoje. Temos que ser uma santa família aos olhos dos padres inquisidores, eles vê, de longe, o pecado e o pecador. Olha filho, eu não estou sendo mau com você, o seu pecado pode ser pequeno, todos nós em alguma vez pensou do seu modo, mas olhos da igreja pecado é pecado, pecadores conversam com satã pra cair em tentação. Isso é grave. O que eu digo é pro seu bem.
            — Pai, eu não conversei com satã ou alguém, eu pensei sozinho...
            — Escute seu pai, — disse calmante a mãe — idéias não aparecem sozinhas, ninguém vai acreditar em você, se espalhá-las por aí. Sem falar que desobedecer ao seu pai já é um pecado, você está a um passo do caminho da perdição. Por favor, filho, nós temos uma vida pacata, não estrague!
            — Está bem. — diz Lucas.
            — Muito bem. Vamos pro centro da vila. — fala João.
            A família vai a passos lentos, um estilo fúnebre de andar; eles não vão a um festival, pra quê esboçar alguma alegria? Outras famílias também vão, outras pessoas também vão, todos quietos, submissos aos movimentos do andar, das idéias, da vida em geral, comparáveis somente a bois conduzidos ao matadouro, só podem olhar pra frente por que o carrasco definiu assim, não saber exatamente onde está e o que vai acontecer, momento ideal para matar contra-idéias.
            Os símbolos do espetáculo que vem a seguir estão prontos: Uma estaca em monte de palha, uns padres locais, cavaleiros de honra ligados ao Vaticano; os populares observam quietos com espanto e admiração, a mulher acusada de bruxaria tinha vivido entre eles, era casada com um homem da região que trabalhava em um negócio novíssimo de ajudante de banqueiro. Chega o marido com alguns inquisidores, todos o vêem como ele é diferente, não usa roupas surradas, elas são logicamente mais preservadas, pois o trabalho dele ocorre dentro de um estabelecimento fechado, ao contrário dos trabalhadores do campo. Logo vem a mulher, sua esposa, surrada e torturada, é amarrada a estaca, todos olham indiferentes ao choro contido dela e a falta de forças para se equilibrar. Um dos inquisidores fala:
            — Filhos e filhas! Esta noite deverá ser consagrada a Deus! Como filhos e servos devemos obediência, lealdade, humildade, valores que um cristão deve exercer, mas esta mulher renega isso, com simples ao de andar pelo mundo criado pelo Altíssimo sem exercer um vínculo com a Igreja Dele, não está ligada a Ele, é uma pagã! Uma herege por não reconhecer Deus!  Lembrem-se o diabo quer andar entre nós, não podemos deixar isso acontecer, senão seremos condescendentes com o mal! Esta mulher enganou-os por algum tempo, mas terá o seu castigo! Nós somos apenas servos, por isso não julgaremos, apenas enviaremos a alma pagã para ser julgada pelo nosso Senhor! Queimem-na!
            Ouve-se a multidão gritar, dizendo para queimá-la. Como uma onda, começa com algumas vozes até se tornar ensurdecedor. As tochas começam a ser lançadas, primeiro por alguns padres inquisidores, mas para saciar a multidão que tinha demonstrado a insatisfação com o fogo inicial, tímido, mais tochas, desta vez, vindas da multidão foram jogadas na fogueira. A mulher já estava condenada por causa dos ferimentos da tortura para o resto da uma vida inválida. Colocar mais fogo é a necessidade natural de liberar o stress do trabalho repetitivo pra fora. Culpá-la por todos aqueles que têm vida infeliz. A ultima tocha é lançada pelo marido, sem demonstrar nenhum sentimento. Enquanto o fogo aumentava, a mulher soltava urros abafados misturados as lágrimas. No ponto em que as cordas as mãos por detrás da estaca, de tão queimadas libertaram as mãos da mulher, mas ainda esta presa pela cintura, do meio da multidão, ouve-se:
            — Veja, ela batendo os punhos no próprio peito!
            — O que ela está fazendo? Ela está dizendo alguma coisa!
            — É alguma maldição para nós?
            — Deve estar orgulhosa de ser herege, bruxa!
            — Isso mesmo!Ela está afirmando, com orgulho, que tem pacto com o demônio!
            As especulações  não param, até que ela morre de vez.


CONTINUA...

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