Uma amizade - parte final

— Agora o problema sou eu?Maluco!Senhores, este homem é incapaz de ter força própria, por isso ele me usou como instrumento para se projetar, fingindo ser meu amigo buscou estar sempre no mesmo caminho que eu, para aproveitar da minha boa vontade e da amizade que nutrira. Ele é um farsante! Um lobo em pele de cordeiro!
            — Me compara a um animal...
            — Isso mesmo! Você, Marcelo, é como um urubu, sempre rondando e procurando. Se contentando com migalhas e restos. — disse Claudio exausto.
            — Ser, eu, um urubu, você é a carniça, já que urubu com só isso ou será que como outra coisa? Se eu me visto pra aparecer como um cordeiro, então devorei uma parte de você, deixando-o aleijado. Para você, esses animais podem ser comparados a mim, como são repugnantes aos seus olhos, eu sou nojento. Você esqueceu que se o abutre observa ou se o lobo marcara a face, eles fazem por necessidade de sobrevivência. Eu sobrevivi no mesmo caminho que você, porque fui esperto, o seu egoísmo nunca permitiria dividir alguma coisa comigo. — disse Marcelo saindo da bancada.
            — É uma vítima de merda, olha só a posição que tem agora, você na verdade tem que me agradecer, pois te aturei por mais tempo que devia. — disse Claudio berrando.
            — Agora também quer ser esperto? Agüentou-me, todos esses anos, para jogar na minha cara, nesse momento, uma ingratidão? Você é um burro querendo que outros sejam burros também. — disse Marcelo gritando, tentando suprir a falta do microfone da bancada.
            — Agora também sou um animal?...
            — Parem!— diz o presidente do partido ocupando a bancada vaga. — essa briga não faz parte do propósito desta reunião, se vê que nenhum dos dois tem o decoro que um possível homem do povo tem que ter.
            — Senhor, — Claudio abre a boca de modo normal — só estava querendo me defender...
            — Já basta! Isso que acontece é confuso, ninguém tem capacidade de entender; vocês têm resolver os seus problemas longe daqui, a sua amizade é confusa, todos viam como conversavam algum tempo atrás e agora isso, só serviu, até agora, pra jogar a culpa de um sobre o outro. É esquisito, tudo isso, que vocês fizeram, é encenado? Os atores se retirem daqui, neste instante!
            A platéia achou aquela discussão descabida senão ainda alguns queriam o próximo nível, comparando a uma luta de vale-tudo. Cada um foi por um lado da assembléia, seguidos e amparados por companheiros e assessores. A imprensa, tão ou mais desinformada que os expectadores, anunciou que houve brigas e discussões sobre disputas das possíveis candidaturas e cargos na campanha. Os dois deixaram a emoção de lado e foram ser mais racionais quando os jornalistas investigaram mais afundo o ocorrido. Quando perguntado, Claudio disse que houve uma discussão normal sobre propostas partidárias, com um “irmão” de trabalho. Quando perguntado, Marcelo disse:
            — Eu sofri de injúria, calúnia ou difamação, até a uma conspiração, dentro da assembléia.
Claudio tornou-se mais frio e distante em relação às amizades. Marcelo deixou a política, ele realmente tinha conseguido um favorecimento através do antigo amigo e sem ele agora, os favores que receberia, nunca passariam de promessas. Os dois nunca mais foram amigos.

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