Pedaço do confronto

            Há no centro da cidade um terreno enorme, na qual tinha sido construído um hipermercado. Destruído o hipermercado, o seu terreno limpo, o proprietário está tentando adequar um novo empreendimento ao plano diretor da cidade. O tempo passou sem que o proprietário levasse adiante o novo projeto.
            Neste tempo, houve um desastre conhecido por deslizamento que como conseqüência tinha agora famílias desabrigadas. Sem esperança de volta ao lugar onde moravam, foram para o tal terreno sem projeto. Favelas superlotadas ou sem dinheiro para pagar hospedagem, se sentiram no direito de ter alguma dignidade. Neste local também terão visibilidade para os seus problemas.
            Quando o proprietário quis seu terreno de volta, os habitantes queriam também um local para morar. Muitas opiniões divergentes: o proprietário ainda não sabia o que fazer com o terreno, muitos acharam que aquele lugar se tornaria em lixão e deveria ser doado aos desabrigados; outros diziam que os desabrigados não procuraram assistência pública, pois estavam amparados por alguma militância do MST e consequentemente queriam tumultuar. A guerra de fofoquinhas era mais forte que o combate corpo a corpo, entre a tropa de choque e os desabrigados, ou era mais estúpida que jogar ovos podres no proprietário preguiçoso.
            As autoridades competentes dão um ponto final ao assunto: recolheram os desabrigados para escolas públicas e o ministério público teria que ser mais enérgico com a questão do terreno. Elas não queriam ter sua imagem arranhada por qualquer coisa, se bem que essa coisa já batia à sua porta. A justiça finalmente agiu conforme as suas regras, quer dizer, com legalidade e isonomia.

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