Crença comprometida

Em uma manhã nublada e de clima frio se pode esperar um movimento maior em uma farmácia, mas não acontece deste modo. O movimento tem sido normal como qualquer dia. Um cara entra nela e pergunta:
— Tem remédio pra gripe?
— Tem, vou pegar. — responde o balconista.
Quando ele volta, trazendo dois remédios diferentes, mostrando-os ao homem diz:
 — Este — diz segurando uma caixa verde—, é indicado pra pessoas com gripe, este outro — um com caixa branca — é indicado pra gripe e febre.
— Vou querer o outro — disse o homem.
— Tudo bem. — o atendente se volta para o caixa, para fechar o negócio. — Espere um momento.
Se não estivesse fraco, por causa da febre, o homem pularia de alegria. Ele achava que não encontraria o remédio certo, por isso pediu um pra gripe, como sendo pra sintomas semelhantes, também aliviasse a outra doença. Encontrou o remédio que precisava, porque Deus tinha sido bom pra ele naquele momento. Ele havia colocado o remédio pra febre no caminho. Deus é bom demais, mesmo esquecendo-se de usar da fé Nele quando chegou à farmácia. Que ingrato! Deve orar agradecendo a dádiva. Ele fez esse pequeno milagre, para lembrá-lo da Sua existência na Terra, assim nunca mais se esqueceria Dele. Um homem temente ao todo-poderoso pode jamais esquecê-lo. Um frio na espinha corre ao notar que podia ter pedido a cura, imediatamente ao Senhor, sem intermédio de remédio. Por que aquilo aconteceu, o que se passou na mente dele? Viver em mundo moderno diminuíra a fé? Todos sabem que remédios curam, porque Deus tinha instruído aos farmacêuticos como manipular as curas, os remédios deste modo tem o aval divino, uma pequena porcentagem de fé embutida neles. Como ter certeza disso? A fé de outra pessoa era igual a dele?Como ter certeza disso, também? Como ter certeza que esse remédio, que vai levar pra casa, foi feito com fé na crença de Deus? Não tem certeza de nada. A única certeza é que comprou um remédio sem ter uma fé profunda. Possivelmente o remédio, que antes era um símbolo da presença divina, possuía algum castigo pela falta de fé. Tantas pessoas tinham sido curadas por remédios, sem mencionar algum efeito divino, por que não ele?
— Senhor é um e 95.
— Está aqui... tem troco pra 5?
— Tenho. — disse o atendente.
O dinheiro é uma invenção humana, disso não tem dúvida, mas Deus havia ajudado também nisso? Deus havia dado a ele o dinheiro suficiente pra efetuar a compra? O dinheiro vem do trabalho ou não? As dúvidas não param de chegar à cabeça. Somente Deus sabe o que se passa em seu coração. Percebendo isso, acalma-se, somente Deus poderá julgar o que tem no coração. Deixe tudo nas mãos Dele. Com o troco, o homem disse:
— Obrigado.
— Por nada. — respondeu o atendente.
E ele saiu do mesmo jeito que entrou normalíssimo.

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