Velho caso político

            Primeiro de janeiro de 2011, o prefeito tomou posse sob aplausos de vereadores e simpatizantes. A alegria estava estampada no rosto dele, afinal ser reeleito com algumas promessas não cumpridas, pressão forte da oposição e ações contraditórias seria a prova da confiança e apoio da população. Ainda que devesse ter ficado desconfiada. O velho prefeito começou o novo mandato com velhos hábitos e o primeiro deles foi suspender a convocação dos novos servidores municipais. O pretexto para tal ato não foi totalmente esclarecido, assim o orçamento municipal levou a culpa que não permitiria novas contratações. Aqueles contra a reeleição riram dos outros que o apoiaram, pois suspeitavam da razão de um concurso no ultimo ano de mandato ser eleitoreira e estavam certos. O prefeito querendo agradar o povo fez um concurso para gerar empregos. Mas a situação irá piorar.
            O jornal local descobre que o prefeito queria colocar mão-de-obra terceirizada no lugar dos concursados. Alguém por algum motivo abriu a boca e contou que ele planejara tudo. A prefeitura faria obras superfaturadas, que ficariam a cargo da prestadora de serviço que por coincidência pertence secretamente ao prefeito. Um lucro inevitável e pomposo permitiria ir à Disney, com a família.  O prefeito rebate as acusações dizendo:
            — Ir à Disney, Disneylândia ou qualquer outro parque no exterior, ou não, é o sonho de qualquer pessoa, estou errado em sonhar? Pretendo realizar um sonho e alguém diz que eu não posso? Errado é alguém se apropriar do sonho de outra pessoa e querer provar alguma coisa com isso, porque ninguém tem provas da corrupção que eu supostamente cometi.
            Mais um nó na cabeça dos eleitores simpatizantes que tentavam explicar a declaração do prefeito. Defender ele é complicado. Se ele fosse honroso, os votos seriam justificáveis, mas não era; as justificativas podiam ser qualquer uma que não seria suficiente. Um mês depois, o prefeito protegido pelas paredes da sede da prefeitura não se sentia perseguido pelas inúmeras e esquisitas declarações. Até mesmo quando uma multidão se formou na frente querendo que ele saísse de lá pra nunca mais voltar. Ele disse:
            — Eu compreendo o que vocês querem, mas quero a compreensão de todos, eu estou neste cargo por causa da maioria popular, vocês não tem poder de me tirar daqui, eu tenho respaldo da confiança de meus eleitores. A opinião de vocês não me interessa, afeta ou algum outro efeito, aqueles que elegeram sabem dos benefícios que eu trouxe e vou continuar trazendo.
            O jornal local, rádios e a boca do povo só repetem que o prefeito disse que só governa pra alguns, logicamente os beneficiados ou protegidos senão ainda aqueles que protegem o prefeito. Os vereadores, vendo uma situação insustentável, decidem investigar as denúncias de corrupção. A conclusão dessa investigação mostrou a ausência de licitação para contratar a empresa terceirizada do prefeito, caracterizando pelo menos um abuso de poder. Mas podia ser abuso de autoridade já que o prefeito alegou:
            — A minha empresa é especializada, por isso não fiz a licitação, além do mais, ela é a única também que presta o serviço melhor qualidade que outras nesta região.
             As desculpas do prefeito não tinham mais ouvidos pra serem ouvidas. O caso foi levado para o ministério público que o acusou de concussão, pois exigiu que funcionários sob ameaça de demissão da própria prefeitura fizessem vista grossa. Foi finalmente detido para pagar uma pena de reclusão de três anos.

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