Conto de fadas à brasileira- parte 1

            Em algum lugar da costa continental de Pindorama, mora um príncipe cuja posição não deriva do sangue e sim do sobrenome. Certa vez, o rei vindo de uma de suas propriedades, falou pra rainha:
            — Minha rainha, eu estou preocupado com o nosso filho. Ele demonstra atitudes incompatíveis com a posição que eu conquistei, ele deveria comportar-se de modo a espelhar o nosso status, temo a continuidade desse status na nossa família.
            — Meu senhor, eu entendo a vossa preocupação, acontece que a vossa posição confundi-se com o sobrenome. Lembraste quando me casei? Fui considerada um acessório para sua posição social. O sobrenome colocou um pouco mais de respeito diante de todos. É uma situação análoga. O sobrenome que ele carrega garante um pouco de status, mas que não conseguirá manter quando ele começar a andar sozinho pelo mundo.
            — Realmente o julgamento da sociedade é cruel. O nosso filho parece não se importar, pois o sobrenome ainda o coloca em vantagem. Temos de lembrá-lo que é a posição, e não um substantivo, o importante para vivermos no mundo de hoje.
            — Vossa Majestade sempre tem razão. — respondeu a rainha.
            Encontrando-se com o príncipe, em seu palácio de praia, foi ter uma conversa particular.
            — Meu filho, eu fico preocupado com seu comportamento, você está exibindo uma educação que não é compatível com seu status social. Suas atitudes são tão iguais a qualquer um vindo da rua. Pense que seu prestígio não vem de você como o meu veio, ele vem do seu sobrenome que também é o meu, pois eu te dei. Assim como eu te dei essa vantagem, eu posso tirá-lo de você, declarar ao mundo a inexistência do meu filho querido. Quero que você se case, com alguma responsabilidade há de se endireitar. Se agir nessas condições terá a felicidade que um príncipe merece pra toda vida.
            O jovem príncipe aceita o ordem do pai, sem entender como arranjaria uma mulher pra casar. O rei quer uma coisa comum: o príncipe terá que se casar com mulher que logicamente esteja à altura da futura posição que o próprio príncipe exercerá para ela refletir todo o conjunto de responsabilidades. O futuro noivo não sabe por onde começar, pois não conhece ninguém, ou nunca quis conhecer com tamanho peso na sua vida; todas que ele conheceu foram garotas para suas noitadas. Nessa situação, ele deveria consultar um oráculo que dará a resposta, mas os oráculos servem para manter a ordem da vida pessoal conjuntamente com a ordem social, assim o príncipe será usado como exemplo de como se deve manter o bem-estar da família para que não haja uma revolta de filhos contra os pais. A decisão tinha que ser conveniente ao príncipe, pois tinha também que aproveitar a vida de solteiro ao máximo. Para isso foi conversar com um amigo, um nobre por sorte e palavras, fazer dele seu próprio oráculo. Chegando ao local, o príncipe foi recebido com alegria, pois onde o próprio príncipe estava sempre tinha uma grande festa. Mas a festa não aconteceu:
            — Entende meu caso — diz o príncipe —, minha família quer acabar com minha vida, obrigando-me a transformar em alguma outra coisa, até mesmo numa réplica do meu pai.   
            — Entendo que o seu caso não tem solução você tem que se casar, senão vai perder o que tens e procure logo.
            — Acha que eu não sei disso? Por isso eu vim até, pra ter uma resposta e não ouvir conselhos óbvios, os oráculos me mandariam obedecer aos meus pais do mesmo jeito. — disse o príncipe.
            — Eu não tenho a resposta, você me pegou de surpresa, mas eu vou te ajudar em nome da nossa amizade.
               Três dias depois o príncipe soube pelo nobre a existência de uma festa onde haveria moças iguais a ele, ou seja, não se casariam jovens e ter uma vida normal diante da sociedade, assim se o príncipe encontrasse uma, os dois poderiam fazer um compromisso falso. O príncipe muito contente comemora seu futuro com o colega nobre. Coisa que ele já fazia, continuará fazendo, a vida é uma festa eterna


CONTINUA...

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