O homem de um milhão

            Manoel era um comerciante eficiente, tinha uma mercearia onde vendia um pouco de tudo para os moradores do bairro que morava. Ele próprio atendia a freguesia, que na sua maioria tornara amiga sua e por isso confidente de seus problemas. Todos no bairro já sabiam das suas histórias de lutas diárias e humílimas de Manoel, inclusive a sua esposa que não agüentava mais ouvir comentários das outras pessoas; ela em uma conversa diz:
            — Manoel, pare de contar histórias idiotas, pare de ser exagerado, as pessoas começam a pensar que somos pobres coitados!
            — Não se preocupe querida, nós não somos pobres! Eu quero que todos acreditem nisso, esse bairro é cheio de abutres e não quero cobiçando o que é nosso.
            — Parece que temos muito dinheiro a esconder, mas você praticamente faz o contrário e ainda diz aos outros como cortamos gastos e coisas supérfluas. Somos como qualquer outro daqui do bairro, mas não aparentamos, pois somos de algum jeito, inferiores por conta de suas histórias. Por que você faz isso? — disse a esposa quase desistindo de olhar o marido.
            — Amor, eu vou contar um segredo, estou juntando dinheiro pra sairmos daqui, estive poupando dinheiro durante anos a quantia está quase completa que é de um milhão.
            A esposa o olha com uma expressão impassível e solta:
            — Um milhão! Você é tão mesquinho! Você é tão mão-de-vaca! Você pensou sempre nas despesas pra juntar esse dinheiro não é mesmo? Você conta infortúnios como um desesperado para ninguém desconfie das suas intenções. Maquiavélico até mesmo comigo.
            — Se eu dissesse que conseguia mais da mercearia, você iria querer gastar mais.
            — É claro! Poderíamos morar em um lugar melhor que esse sem a pretensão de sermos milionários e também sem a necessidade de inventar estórias, pois fazemos com o nosso dinheiro o que for conveniente para nós.
            Manoel engole seca a resposta que daria à esposa, mas diz:
            —Fique sabendo que eu valho mais de um milhão e você vai concordar.
             O consentimento dos dois sobre o uso do dinheiro seria o melhor.

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