O fanático por Fórmula Um

       Aquele quarto era um santuário de relíquias, pelo menos podia ser comparado deste modo. As bugigangas, enfeites réplicas de carros de F-1 mostravam uma enorme admiração que o dono tem pelo esporte. O dono Pedro, um adolescente tido por tímido no convívio social, mudava quando o assunto era automóvel e o esporte que ele admira. Agora Pedro está procurando fotos do piloto Vettel que foi escolhido como melhor esportista europeu do ano 2010. Ele já achou na internet, mas quer mais. Ele também vai a uma banca, na procura de uma revista especializada.
            — Não chegou, não. — disse o vendedor sobre a revista desejada.
            As mãos trêmulas de Pedro estão suadas. Só tinha saído de casa pra isso. Uma sensação de desconforto. Todos os objetos que conseguia tinham valor sentimental exacerbado. Era de muita importância, colecionar quinquilharias. Por algum motivo aqueles objetos faziam parte da vida dele, além de preenchê-lo.
            — Está aqui, reservei pra você. — diz o vendedor, no outro dia, pra Pedro.
            O alívio está estampado com a revista com o campeão de F-1 2010 na capa. Os momentos desse esporte se eternizavam com ele. Dormir nesse quarto devia ser como dormir no paraíso, no lugar de trombetas e coral de anjos havia o ronco de motores, barulho de freadas, buzinas e derrapagens. Esse paraíso o protegia do mundo real, ao mesmo tempo em que o mimava. O que era ele sem esse santuário, ou o que seria do quarto sem o zelo do dono? Essa pergunta Pedro não queria responder.

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